quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Sem titulo.

Fui agarrado pelos braços
Beijado na boca
Fundido no sexo
Eclipsado no luar
Arrastado pelo colarinho
Acariciado na face
Estendido na rede
Jogado na lama
Embebedado
Amaldiçoado
Cingido com seu balsamo
Acreditado
desacreditado
Rolado pela rua
Na sarjeta esquecido
Desgraçadamente sorrindo
Inutilmente chorando
Fatalmente apaixonado
Morto pela mesma mão que escreve
Apunhalado pela faca que mata
Sugado nas noites
Inspirado por seu maldito suspiro
Ensurdecido por seu grito
Abjurei as religiões
Reneguei a política
Tornei-me louco
Tornei-me bandido
Saltando obstáculos
Equilibrei-me na corda invisível
Amei mulheres vis
Por elas fui deixado
Por elas fui maltratado
Assim dessa forma
Não tenho que reclamar
Minha poesia
Nem minha forma de pensar
Hoje aprendo com os passarinhos
E peço obrigado as flores
Que me deixam observá-las
Sem cobrar nada por isso
Agora tento acordar cedo
Na hora em que se inicia o dia
Casando-se com a noite
Mora o segredo
Em que se encontra a poesia.
Wesley Barbosa.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O DIABO NA MESA DOS FUNDOS.

"Após queimar todo material literário que havia escrito, o autor, propõe-se a iniciar um conjunto de contos, o qual futuramente se tornaria a coletânea O Diabo Na Mesa Dos Fundos.
Nessa obra o autor expõe um retrato da sua realidade periférica, suburbana e desregrada, com uma atmosfera autobiográfica misturada a ficção. Consegue relatar situações vividas e comuns do dia à dia, de maneira unicamente trágica, conseguindo traduzir o gosto e pesar que é viver na periferia de São Paulo. 
A escrita é de fácil leitura e sem rodeios, assim como outros autores da literatura marginal, os textos são leves e prazerosos, compensando assim o tempo, do leitor, investido no livro".
O livro que foi editado pelo renomado escritor Ferrez e publicado pela Selo povo editora, foi lançado dia 05 de março na fabrica de cultura do capão redondo.

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PELA FRESTA DA JANELA QUEBRADA

Troquei a roupa do meu corpo
Pois estava suja
Troquei o par de sapato
Que estava furado
Mudei o corte de cabelo
Que sempre foi o mesmo durante anos
Mudei de lugar alguns livros
Outros que eu havia lido
Troquei por novos
Joguei fora as coisas inuteis:
Papeis cheios de rascunhos
Canetas sem tinta
Mochila velha
Frasco de perfume usado
E brinquedos em miniaturas
Que na verdade nunca me serviram para nada
Depois fui mais além…
Pela manhã ao despertar
O corpo pesado
A mente em congestionamento
Varri toda a casa
Joguei no lixo toda sujeira
Daí então pensei na vida
Nos monstros e fantasmas imaginarios:
No mar de palavras vazias
Nas ruas e nas sarjetas
Nos amigos falsos
Nos copos de bares
Nos mictorios fedorentos
Nas prostitutas baratas
Nos transeuntes soberbos
Da rua vinte e cinco de março
No por do sol daquela praça que nunca fui com Caroline
No corpo em forma de violão de Pamela
No livro que escrevi e em outros mais que irei escrever
Nas madrugdas de solidão
A fresta da janela quebrada
A luz da lua penetra
Como a lembrança da minha amada.
Wesley Barbosa