quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

PELA FRESTA DA JANELA QUEBRADA

Troquei a roupa do meu corpo
Pois estava suja
Troquei o par de sapato
Que estava furado
Mudei o corte de cabelo
Que sempre foi o mesmo durante anos
Mudei de lugar alguns livros
Outros que eu havia lido
Troquei por novos
Joguei fora as coisas inuteis:
Papeis cheios de rascunhos
Canetas sem tinta
Mochila velha
Frasco de perfume usado
E brinquedos em miniaturas
Que na verdade nunca me serviram para nada
Depois fui mais além…
Pela manhã ao despertar
O corpo pesado
A mente em congestionamento
Varri toda a casa
Joguei no lixo toda sujeira
Daí então pensei na vida
Nos monstros e fantasmas imaginarios:
No mar de palavras vazias
Nas ruas e nas sarjetas
Nos amigos falsos
Nos copos de bares
Nos mictorios fedorentos
Nas prostitutas baratas
Nos transeuntes soberbos
Da rua vinte e cinco de março
No por do sol daquela praça que nunca fui com Caroline
No corpo em forma de violão de Pamela
No livro que escrevi e em outros mais que irei escrever
Nas madrugdas de solidão
A fresta da janela quebrada
A luz da lua penetra
Como a lembrança da minha amada.
Wesley Barbosa

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